O Plano Diretor Curitiba e a imprensa
Estou no jornalismo há 20 anos, fiz coberturas de pautas de diversas vertentes, principalmente esportes, política e urbanismo. Quero falar um pouco das pautas referentes às dinâmicas urbanas. Aprendemos na faculdade de jornalismo, desde sempre, ouvir todos os lados possíveis: a imprensa oficial, associações, população, empresas, acusado e acusador.   No urbanismo, a imprensa oficial tem […]

Estou no jornalismo há 20 anos, fiz coberturas de pautas de diversas vertentes, principalmente esportes, política e urbanismo. Quero falar um pouco das pautas referentes às dinâmicas urbanas. Aprendemos na faculdade de jornalismo, desde sempre, ouvir todos os lados possíveis: a imprensa oficial, associações, população, empresas, acusado e acusador.  

No urbanismo, a imprensa oficial tem um papel bem importante, pois ela contextualiza o jornalista sobre o que se pretende com uma transformação urbana, como a criação de binários para automóveis e coletivos trafegarem com maior facilidade e velocidade superior em regiões que antes eram mais tranquilas na visão de pedestres, ciclistas e, porquê não, de motoristas até. Essas mudanças são colocadas como avanços de uma cidade motorizada que não pode parar e tem muita urgência. Sinto falta como jornalista de uma análise mais profunda sobre essas mudanças. 

As grandes transformações urbanas organizadas no Plano Diretor de Curitiba( cidade em que nasci e vivo) que explica o que temos na cidade, as tendências de futuro e como essas transformações vão impactar na cidade nos próximos anos. Sinto falta da imprensa ouvir a população, pois quem está no bairro, na rua, consegue compreender o que a adoção de um binário pode representar. Não estou dizendo aqui binários não são importantes, mas cabe a imprensa questionar se a solução é apenas colocar o problema para debaixo do asfalto ou, de fato, indispensável. É fundamental o profissional da imprensa conhecer o plano diretor da cidade, incentivar a participação popular na elaboração dele e cobrar das autoridades que a população possa ter uma participação efetiva nesse processo

Quer saber mais?

Um dos trabalhos interessantes é a Frente Mobiliza Curitiba que “debate o planejamento da “cidade-modelo” a partir de suas contradições, coloca em confronto a realidade (prática urbana) e o urbanismo tecnocrata. Esse último, enquanto discurso técnico, encobre seu conteúdo ideológico e político”.

Conheça “O mito do planejamento urbano democrático: reflexões a partir de Curitiba”, organizado por Luana Xavier Pinto Coelho.

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